Infoecosys: contra o neoliberalismo, o fascismo e imperialismo. A favor dos trabalhadores: um novo Brasil é possível !

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Contra o neoliberalismo, o fascismo e imperialismo. A favor dos trabalhadores: um novo Brasil é possível !

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Petro volta a denunciar planos de golpe na Colômbia e pede que povo defenda o governo

Presidente acusa Ministério Público de querer derrubá-lo por ‘vias judiciais’; movimentos de esquerda marcam ato para esta quinta-feira (08/02)

Na última sexta-feira (02/02), o mandatário mencionou as investigações contra a Federação Colombiana de Educadores (Fecode), nas quais o MP apura supostas doações do grupo à campanha eleitoral do presidente, em 2021.

O chefe do Executivo compartilhou um texto na rede social X (antigo Twitter) afirmando que as investigações representam uma “ruptura institucional” e pediu atenção dos outros países à “tomada do MP pela máfia”. Na publicação, Petro compara a ação do órgão com a perseguição ao partido político União Patriótica (UP). Em 30 de janeiro, a Corte Interamericana de Direitos Humanos responsabilizou o Estado colombiano pela perseguição violenta, desaparecimento forçado, assassinatos e torturas contra seis mil integrantes da legenda de esquerda UP na década de 1980 e 1990.

No sábado (03/02), o presidente afirmou que a Fecode fez uma doação de 500 milhões de pesos colombianos (R$ 635 mil na cotação atual) ao seu partido Colombia Humana, mas que isso não foi destinado à sua campanha eleitoral.

Em resposta às investigações, a Fecode convocou uma manifestação para quinta-feira (08/02) juntamente com outras entidades progressistas que apoiam Petro contra a ação do Ministério Público e em defesa do governo. Em comunicado, o grupo disse que não pode permitir “que os poderes mafiosos sigam cooptando instituições, menos ainda o MP, para se perpetuar no poder” e que o protesto tem como objetivo denunciar a perseguição contra o movimento sindical.  

Investigações e crise política

A crise política no país que tem como atores centrais o chefe do Executivo e o representante do MP, o procurador-geral Francisco Barbosa, se estende há meses e esquentou há duas semanas quando o chanceler Álvaro Leyva foi suspenso pela Procuradoria-Geral da República. Ele é acusado de ter “excedido suas funções” depois de cancelar, em 13 de setembro, uma licitação para escolher a empresa que emitiria os passaportes colombianos.  

Segundo o MP, o ministro das Relações Exteriores não tinha nenhuma fundamentação técnica para isso. A única empresa que restava no processo era a Thomas Greg & Sons de Colombia SA. Petro defendeu o ministro e disse que essa é uma manobra do MP e que Leyva seguiu suas ordens.

O aumento da temperatura na relação entre Petro e Barbosa também se deu nas redes sociais. Na última semana, uma publicação em uma conta falsa do procurador-geral afirmava que abriria investigação contra Ricardo Roa, presidente da empresa petrolífera colombiana Ecopetrol. Petro respondeu e disse que o MP busca um “golpe de Estado”. 

A Suprema Corte atua como aliada das “forças das trevas” que buscam um golpe suave na Colômbia e está ajudando uma direita que quer desestabilizar e derrubar o presidente

Em nota, o MP disse que o procurador-geral não tem nenhuma conta em redes sociais.  

Atritos também ocorreram em agosto, no debate sobre a sucessão de Barbosa. O mandato do procurador termina em 12 de fevereiro e o presidente Petro apresentou a sua lista tríplice ao Supremo Tribunal de Justiça há cinco meses.  

Para ser empossado, o novo chefe do MP precisa receber ao menos 16 votos dos 23 magistrados que compõem a Corte. A votação se alongou e terminou só em 25 de janeiro. Os ministros não chegaram a um consenso sobre o novo nome porque 13 votaram em branco.

Caso a Corte não chegue a um consenso até 12 de fevereiro, a atual vice-procuradora Marta Mancera assume o cargo. Ela também está envolvida na crise entre Petro e Barbosa. O atual procurador afirmou em entrevista à rádio Blu no último dia 29 de janeiro que Petro pediu a troca da vice-procuradora. 

Ela é considerada braço direito de Barbosa e foi investigada por proteger funcionários corruptos que trabalhavam no distrito de Buenaventura.

GOLPE DE ESTADO NO PAQUISTÃO:

PRISÕES E ASSASSINATOS DE LIDERES POLÍTICOS SOB O COMANDO DOS EUA

Por Ricardo Rabelo

                Um candidato a eleições para o governo de um país emergente importante, que já tinha sido governante e foi afastado por uma votação no parlamento, foi retirado da disputa eleitoral por uma decisão judicial que o acusou de corrupção. Não, não é o Lula. O nome dele é Imran Khan  e seu país é uma peça importante no quadro geopolítico internacional porque  ele , ao contrário do Brasil, possui um  arsenal  nuclear. O País é o Paquistão, e quem está por trás de toda trama para afasta-lo do poder    também é, como no caso de Lula, o imperialismo norte-americano  através do governo dos EUA.

Outra semelhança com o Brasil é o grande poder das Forças Armadas, que ocuparam o poder durante vários anos, com alguns de intervalo, sempre implantando ditaduras que nada ficam a dever à que durante 20 anos  oprimiu o Brasil. Ao contrário do Brasil, pelo menos por enquanto, o exército no Paquistão é muito mais forte que o brasileiro e não é só por causa da bomba atômica. A presença do Exército paquistanês  se exerce através  seu poderoso  serviço de inteligência – o abrangente Inter-Services Intelligence (ISI).Muito mais forte que a ABIN, é um poder dentro de poder, opressor na sociedade civil, uma vez que não se limita à sua questões específicas. Ele se ramifica  numa cadeia infinita de empresas industriais e comerciais, que enriqueceram historicamente, de forma escandalosa, muitos chefes de alto escalão do Exército,  e não abrem mão dessa  corrupção nunca atingida pelas ordens judiciais. É por causa dessa situação que alguns analistas compararam Paquistão com o que se dizia da Prússia do século XVIII: “O Paquistão não é um país com exército, mas um exército com país”.

Imran  Khan chegou ao poder em 2018 através do partido por ele criado o Partido  Tehreek-e-Insaf ou PTI que significa Movimento pela Justiça.Apesar de sua política voltada prioritariamente para os pobres, ele no início se aliou aos militares   dando poder aos generais para a nomeação de  postos-chave, um desafio sem precedentes no história moderna do Paquistão.

Por outro lado, no Afeganistão, os Estados Unidos lutavam, com todas as suas forças, contra o  Exército talibã,  e isso levou que ataques constantes com drones atingissem as áreas tribais perto da fronteira com o Paquistão. A morte de civis paquistaneses, em suas casas, festas, confraternizações, até cortejos fúnebres, aumentou exponencialmente, e isso levou a um aumento enorme dos níveis de repúdio a Washington. Estes fatos acabaram por se tornar um dos itens das campanhas eleitorais e os militares  paquistaneses, que passavam por um cisma interno, apesar de sua antiga relação com a CIA e o Pentágono, acabam tolerando este antiamericanismo.

Depois de chegar ao poder, Khan radicalizou suas propostas não-governamentais. não só ameaçando o poder militar, mas também pondo em causa a relação histórica do Paquistão de submissão aos EUA, como na guerra antissoviética contra o Afeganistão (1979-1992).

Um dos grandes “defeitos” do agora prisioneiro e ex- primeiro-ministro foi a sua recusa em colocar tropas paquistanesas  juntamente com a Arábia Saudita na guerra contra o Iêmen. Ele foi forçado a procurar outros fornecedores de hidrocarbonetos para satisfazer as suas necessidades e  se uniu principalmente à  Rússia, que considerou um excelente parceiro.

Outra questão  foi sua tentativa de se associar à  China, que foi considerada um fator de instabilidade para o controle de Washington sobre Islamabad, em um país que ele sempre contou para o papel de gendarme no região por causa de sua posição geográfica central, não apenas por causa de sua fronteira com a Índia, mas também com a China, o Irã e uma longa linha divisória no norte com o Afeganistão, que se tornou uma derrota para os EUA quando  o Talibã chegou novamente ao poder em agosto de 2021.

Imran khan apostava na construção de um enorme gasoduto de 2.700 quilômetros, que começou a ser construído em 2013, e que transportaria gás para a China, para aliviar algumas das necessidades crônicas de energia de Pequim. Para o Paquistão o gasoduto seria uma solução para o problema da dívida externa de 5 bilhões de dólares com o FMI, já que a  conclusão do gasoduto traria 5 bilhões de dólares em benefícios. Além disso o Ministro iraniano das Relações Exteriores, Hossein Amir-Abdollahian havia afirmado que “a conclusão do projeto serviria aos interesses nacionais de ambos os países” tendo em vista que o trecho iraniano já está concluído.

Outra semelhança com o Brasil é que Khan  não queria  romper os laços com os Estados Unidos ou a Rússia por causa da guerra na Ucrânia. Por azar, Khan estava em Moscou para se encontrar com Putin no dia em que a Rússia lançou a operação militar especial (24 de fevereiro de 2022). Desde o início, Khan defendeu que o conflito na Ucrânia fosse resolvido na mesa de negociações e não no campo de batalha. Os EUA e a União Europeia forçaram líderes estrangeiros, incluindo Khan, a se alinharem contra Putin e apoiarem as sanções ocidentais contra a Rússia, mas Khan  resistiu.

Neste caso, os EUA queriam derrubar o governo do primeiro-ministro Imran Khan, o líder carismático, talentoso e extremamente popular do Paquistão, conhecido tanto por seu domínio do críquete quanto por influência junto ao povo. Sua popularidade, independência e enorme talento o tornaram um alvo preferencial para os Estados Unidos, que estão sempre preocupados com líderes populares que não se alinham com as políticas norte-americanas.

O “pecado” de Imran Khan foi cooperar demais com Putin e Xi Jinping, enquanto buscava relações normais com os Estados Unidos.O grande mantra da política externa dos EUA, e o princípio desencadeador da CIA, é que um líder estrangeiro está “conosco ou contra nós”. Líderes que tentam ser neutros entre as grandes potências correm um sério risco de perder sua posição, ou mesmo suas vidas, por instigação dos Estados Unidos, já que os Estados Unidos não aceitam a neutralidade. Líderes que buscavam a neutralidade, de Patrice Lumumba (Congo), Norodom Sihanouk (Camboja), Viktor Yanukovych (Ucrânia) e muitos outros, foram derrubados pela mão não tão oculta do governo dos EUA.

Khan  selou seu destino em 6 de março, quando organizou uma grande manifestação no norte do Paquistão. No comício, ele repreendeu o Ocidente, e em particular 22 embaixadores da União Europeia, por pressioná-lo a condenar a Rússia em uma votação da ONU. Ele também atacou a guerra da Otan contra o terror no vizinho Afeganistão, chamando-a de totalmente devastadora para o Paquistão, sem qualquer reconhecimento, respeito ou apreço pelo sofrimento do Paquistão.

Khan  disse à multidão: “Os embaixadores da União Europeia nos escreveram uma carta pedindo que condenássemos e votássemos contra a Rússia […] O que pensam de nós? Somos seus escravos (…) e o que quer que você diga, nós faremos?” E acrescentou: “Somos amigos da Rússia e também somos amigos dos Estados Unidos; somos amigos da China e da Europa; Não estamos em nenhum dos lados […] O Paquistão permaneceria neutro e trabalharia com aqueles que tentam acabar com a guerra na Ucrânia.”

Do ponto de vista americano, “neutro” é uma palavra agressiva. As consequências terríveis para Khan foram reveladas em agosto do ano passado. Apenas um dia após o comício de Khan, o secretário de Estado adjunto do Bureau de Assuntos da Ásia Central e do Sul, Donald Lu, se reuniu com o embaixador do Paquistão nos Estados Unidos, Asad Majeed Khan, em Washington. Após a reunião, o embaixador Khan enviou um telegrama secreto (uma “criptografia”) para Islamabad.

O telegrama relata que o subsecretário Lu criticou o primeiro-ministro Khan por sua postura neutra. O telegrama cita Lu dizendo que “as pessoas aqui e na Europa estão muito preocupadas que o Paquistão esteja adotando uma postura tão agressivamente neutra (em relação à Ucrânia. Uma posição até possível, mas não nos parece tão neutra.”

Lu então transmitiu a essência ao embaixador  de Khan: “Acredito que, se o voto de desconfiança contra o primeiro-ministro for bem-sucedido, tudo será perdoado em Washington porque a visita à Rússia é considerada uma decisão do primeiro-ministro.”

Cinco semanas depois, em 10 de abril, os EUA ameaçaram  os poderosos militares do Paquistão  que  pressionaram o Parlamento paquistanês, que derrubou Khan em um voto de desconfiança. Algumas semanas depois, o novo governo apresentou acusações falsas de corrupção contra Khan, para prendê-lo e impedir seu retorno ao poder.

Quando Khan tornou pública a existência do telegrama diplomático revelando o papel dos EUA em sua derrubada, o novo governo acusou Khan  de espionagem. Ele já foi condenado a 10 anos de prisão por essas acusações e o governo dos EUA fez silêncio diante da indignação popular. Quando questionado sobre a sentença de Khan o  Departamento de Estado respondeu: “Esse é um assunto para os tribunais paquistaneses”. Tal resposta é um exemplo impressionante de como a mudança de regime liderada pelos EUA funciona. O Departamento de Estado apoia a prisão de Khan depois que Khan  revelou publicamente as ações dos EUA.

Outra imposição do imperialismo norte-americano foi que o governo suspendesse imediatamente a construção do gasoduto para a China, sob pena de sofrer sanções, inclusive pelo fato do país negociar com o Irã.

Shehbaz Sharif foi eleito Primeiro Ministro do Paquistão em uma votação na Assembleia Nacional após a queda de seu antecessor, Imran Khan, devido a uma moção de censura. Sharif obteve 174 votos dos 342 representantes da Assembleia. O novo governo atendeu as reivindicações dos EUA e suspendeu a construção do polêmico gasoduto. É evidente que tudo isso explica porque o Paquistão votou na ONU favorável à posição dos EUA na questão da Ucrânia . Há também evidências de que o Paquistão alimenta a guerra na Ucrânia com armas fabricadas no país. Com grande orgulho e muito dinheiro  nos bolsos dos militares paquistaneses.

Aparentemente, o esquema  de poder em torno de  Shehbaz Sharif não se consolidou. O parlamento foi dissolvido e, de acordo com a Constituição, as eleições foram marcadas para  se realizar-dentro de  90 dias. É prática corrente no Paquistão nomear um governo de gestão para o período eleitoral.  O  ex-senador Anwar-ul-Haq Kakar assumiu como primeiro-ministro interino. Ele  foi escolhido pelo primeiro-ministro cessante, Shehbaz Sharif, e pelo líder da oposição, Raza Riaz, pela sua estreita ligação com os militares, para gerir os assuntos da administração até à eleição de um novo governo.

Imran Khan, que recorreu da sentença, não pode participar nas eleições, a menos que a condenação seja anulada, pois a legislação paquistanesa impede alguém com uma condenação penal de liderar um partido, ser candidato ou ocupar cargos públicos

                O   Paquistão  realizará,  no próximo dia 8 de Fevereiro, eleições gerais que definirão a formação de um novo governo no país. Como o regime é parlamentarista, a maioria parlamentar é necessária para a indicação de um novo Primeiro Ministro, que será o governante pelos próximos anos.  Ao contrário dos outros países parlamentaristas, o candidato a Primeiro- Ministro participa das eleições como tal e é nele que as massas populares votam. Assim como no Brasil, o candidato preso e afastado das eleições tem grande apoio popular porque, ao contrario da burguesia e  do exercito  do país fez um governo voltado para atender as necessidades das populações mais pobres.

                As eleições  vão ser realizadas  com o líder democrático mais popular na prisão e o partido de Khan sob ataques implacáveis. O PTI é um dos três principais partidos políticos paquistaneses ao lado da Liga Muçulmana do Paquistão – Nawaz (PML–N) e do Partido Popular do Paquistão (PPP). Com mais de 10 milhões de membros no Paquistão e no exterior, afirma ser o maior partido político do país por adesão primária, bem como um dos maiores partidos políticos do mundo. O poder imperante após a demissão e prisão de Khan determinou a proibição do Partido de lançar candidatos a primeiro ministro  nas próximas eleições. Chegaram até o ponto de proibir o símbolo do partido nas cédulas de votação, que é o que identifica o partido para grande parte da população analfabeta do país.

                Os protestos contra a demissão de Khan e a supressão de seu partido foram gerais e amplos no contexto de uma grave  crise econômica, fruto da política econômica neoliberal e as imposições do FMI  e  em parte pelo impacto da invasão russa da Ucrânia nos preços globais da energia . O caos  se implantou no país  levando a um  aumento das taxas de inflação e fuga de capitais.

Além da situação econômica, foi implantado um regime de exceção, com censura dos meios de comunicação   e prisão de milhares militantes do partido de Khan, com denúncias de tortura pelas forças repressivas, com denúncias de várias mortes sob custódia.

                A repressão se estendeu à imprensa que culminou no assassinato de Arshad Sharif, destacado jornalista paquistanês muito ligado a Kahn ,  que fugiu do país, e foi morto a tiros em Nairóbi em outubro do ano passado. Em novembro do ano passado, o próprio Khan foi alvo de uma tentativa de assassinato quando foi baleado em um comício político, em um ataque que o feriu e matou um de seus apoiadores.

                O candidato às eleições no Paquistão, Rehan Zeb Khan, do partido Paquistão Tehreek-e-Insaf (PTI), foi assassinado a tiros durante um evento de campanha na noite de quarta-feira, 31 de janeiro de 2024, uma semana antes da abertura das urnas. Rehan Zeb Khan era afiliado ao mesmo partido do ex-primeiro-ministro Imran Khan, que foi condenado a 24 anos de prisão na mesma semana. O assassinato ocorreu quando homens armados abriram fogo contra o carro de Khan em um mercado em Bajaur, na província de Khyber Pakhtunkhwa. Outras três pessoas ficaram feridas no incidente.

Curiosamente, o Estado Islâmico Khorasan, ou EI-K, assumiu a responsabilidade pelo ataque. Mais uma vez o Estado Islâmico aparece fazendo o serviço sujo para os EUA. Em resposta à violência, a Comissão Eleitoral do Paquistão (ECP) convocou uma reunião de emergência de autoridades de segurança para discutir a “deterioração” da lei e da ordem nas duas províncias.

Neste quadro, as eleições  serão ganhas por  Nawaz Sharif, de 74 anos, que retornou ao país em outubro do ano passado, após quatro anos de exílio. Ele fora acusado de vários crimes de corrupção e havia fugido do país. De forma suspeita os processos contra ele foram arquivados. Se vencedor, ele ocupará o cargo de primeiro-ministro pela quarta vez, como líder da Liga Muçulmana do Paquistão (PML-N)1.

O papel do Imperialismo

Em todos estes acontecimentos nefastos para a democracia, que Biden diz defender , o governo dos EUA é cúmplice. Isto mostra quais são os  valores “democráticos” dos Estados Unidos. O governo dos EUA conseguiu ser vitorioso desestabilizando profundamente um país com armas nucleares e que tem uma população de 240 milhões de pessoas. Isto mostra que apenas usando de recursos como a chantagem e violência contra os outros países que os  EUA  conseguem realizar seus objetivos de política externa. Os EUA se aliaram à uma ditadura dos militares para isso, ou seja , “fuck democracy”.

A chave para operações secretas, é claro, é que elas são secretas e, portanto, devem sempre ser negadas pelo governo dos EUA. Mesmo quando as evidências são reveladas por denunciantes ou vazamentos, como é o caso, o governo dos EUA rejeita a autenticidade das evidências e a grande mídia geralmente ignora a história porque contradiz a narrativa oficial. Depois essa grande mídia acusa os órgãos independentes de espalhar “fake news”.

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